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[2004-10-07] - Internet: o mundo em mudança |
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A Internet é fruto de uma encruzilhada entre a ciência, investigação e cultura de liberdade. Os propósitos iniciais da web prendiam-se com a comunicação científica, tornando-se a Internet rapidamente uma ferramenta vantajosa para a cooperação e divulgação. Mas a Internet alterou os caminhos normais de comunicação, atirando para segundo plano as publicações de carácter científico, abrindo a ciência a um público mais vasto, retirando a exclusividade aos meios académicos e obrigando à informatização da pesquisa, coisa que há alguns anos ainda não era prática corrente.
Claro que as afirmações anteriores têm o seu quê de polémico e até de discutível. De facto, o método científico e os critérios de avaliação do cientista e do investigador continuam focados no número de artigos publicados, no número de vezes que é citado em outros artigos de índole científica e na qualidade dos artigos. Os ‘papers’ apresentados em congressos e seminários são, normalmente, publicados em revistas científicas e em livro, mas este é um processo lento.
A Internet criou condições para que a informação chegue de uma forma mais rápida e a um público mais vasto, o que está a obrigar os editores a uma revisão dos seus procedimentos e a alterar a também a sua forma de comunicar, através das revistas cientificas on-line.
Os editores habituados a controlar a informação e a controlar os direitos de autor estão ainda a aprender a linguagem deste novo modo de comunicar a ciência. No entanto é iniludível que a divulgação de pesquisas e de resultados é agora muito mais simples, quer para os investigadores quer para o público interessado.
Uma grande vantagem da Internet, em relação às revistas de divulgação científica, é o espaço disponibilizado. A conceituada revista médica - Academic Medicine - apenas aceita e publica 10 a 15 por cento do material que publica. A escolha dos artigos a publicar é obviamente alvo de uma certa subjectividade. A versão electrónica da revista pode muito bem resolver (ou ajudar a resolver) este problema.
Claro que nem tudo são rosas…Um dos desafios que se põe à disponibilização de artigos científicos na Internet é a veracidade e a fidelidade ao original. A liberdade e flexibilidade da Internet faz, ou pode fazer, com que em vez de uma única versão de um artigo, como acontece numa revista ou num livro, existam várias versões de um mesmo artigo. Curiosamente será uma espécie de regresso ao passado, ao tempo em que as alterações e os erros dos monges-copistas provocavam alterações ao texto original.
A veracidade dos dados divulgados na Internet pode, em alguns casos, ser alvo de dúvida. Tendo em conta que se trata de um espaço de liberdade onde, pelo menos teoricamente, todos podem aceder, é óbvio que existem informações que precisam de ser cruzadas, filtradas, confirmadas.
Graças à Internet, a reunião da ciência e das potencialidades tecnológicas permite ainda uma agilização de inúmeras actividades. Com a Internet é possível ligar em rede os locais mais inimagináveis do mundo, trocar dados, informações, relatórios, ideias, tomar decisões, tudo isto sem grandes custos de tempo e sem deslocação espacial.
A Internet permite ainda um trabalho em equipa mais global, na medida em que vários pontos do globo podem estar em contacto para discutir uma ideia, fazer uma experiência, observar dados, tudo isto em menos tempo e com menos esforço. As distâncias são facilmente anuladas, sendo que uma descoberta feita hoje é reutilizada muito mais rapidamente, num outro local do mundo.
O recurso à Internet permite criar uma base de dados, uma reserva de informação imensa. Desde a grande biblioteca de Alexandria que a necessidade de recolher informação e armazenar conhecimento é um desejo e uma urgência do ser humano. Os cientistas e os pesquisadores estão, especialmente, dependentes deste tipo de informação armazenada, seja para consulta própria, seja para darem conhecimento de si ao mundo. O crescimento da Internet está a mudar e a facilitar o acesso a este tipo de textos. Qualquer pessoa que já tenha gasto tempo numa biblioteca ou num monte de revistas à procura de um texto ou de um conceito reconhece imediatamente os benefícios deste repositório: a maior biblioteca do Mundo está na web!
"In Diário Económico" |
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